”(…) você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, “apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo”. Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a “função social”, nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.” 

Caio Fernando Abreu

23/1/12 | 9:35pm | 3 notes
Tive  um daqueles momentos em que surgem epifanias; um momento muito breve,  enquanto eu observava a água da chuva escorrer pela janela escura do  quarto. De um jeito ou de outro, a chuva sempre me leva a pensar… As  vezes dói. As vezes não faz sentido. As vezes é inútil. Mas é  inevitável.
De  qualquer modo, voltando ao foco do pensamento-epifania , eu percebi que  mais difícil do que deixar que alguém entre na minha vida, é manter  essa pessoa por perto. Nós podemos começar com um oi-te-vi-hoje ou um  elogio ou qualquer forma interessante de se iniciar um diálogo. - Um  diálogo bem elaborado é a forma mais fácil de prender minha atenção. As  pessoas com conversas agradáveis são raras. A maioria foca o diálogo em  si e acaba num monólogo, e eu acabo sendo a platéia.
A  gente não sabe usar o tempo a nosso favor; pois o mesmo tempo que faz  uma relação evoluir, também a desgasta. É exatamente com isso que é  complicado lutar: O desgaste. Até que tudo vira pó e o vento se  encarrega de levar para longe.
 
…Mas  o fato de deixar-alguém-entrar e de manter-alguém-na-sua-vida não é  mais difícil do que perder alguém que você ama. Nenhuma sensação – E  estamos falando de muitas sensações – é pior do que perder alguém. Por  isso a gente tenta. Por isso a gente espera que o nascer do sol amenize  uma briga e o tempo a apague. Por isso a gente engole o orgulho como se  fosse café amargo. Porque é melhor sentir a breve dor de um orgulho  partido do que a partida de alguém essencial.

Tive um daqueles momentos em que surgem epifanias; um momento muito breve, enquanto eu observava a água da chuva escorrer pela janela escura do quarto. De um jeito ou de outro, a chuva sempre me leva a pensar… As vezes dói. As vezes não faz sentido. As vezes é inútil. Mas é inevitável.

De qualquer modo, voltando ao foco do pensamento-epifania , eu percebi que mais difícil do que deixar que alguém entre na minha vida, é manter essa pessoa por perto. Nós podemos começar com um oi-te-vi-hoje ou um elogio ou qualquer forma interessante de se iniciar um diálogo. - Um diálogo bem elaborado é a forma mais fácil de prender minha atenção. As pessoas com conversas agradáveis são raras. A maioria foca o diálogo em si e acaba num monólogo, e eu acabo sendo a platéia.

A gente não sabe usar o tempo a nosso favor; pois o mesmo tempo que faz uma relação evoluir, também a desgasta. É exatamente com isso que é complicado lutar: O desgaste. Até que tudo vira pó e o vento se encarrega de levar para longe.

…Mas o fato de deixar-alguém-entrar e de manter-alguém-na-sua-vida não é mais difícil do que perder alguém que você ama. Nenhuma sensação – E estamos falando de muitas sensações – é pior do que perder alguém. Por isso a gente tenta. Por isso a gente espera que o nascer do sol amenize uma briga e o tempo a apague. Por isso a gente engole o orgulho como se fosse café amargo. Porque é melhor sentir a breve dor de um orgulho partido do que a partida de alguém essencial.

13/11/11 | 2:01pm | 11 notes
- Só sei que nós nos amamos muito.

- Por que você está usando o verbo no presente? Você ainda me ama?
- Não, eu falei no passado!
- Curioso, né? É a mesma conjugação.
- Que língua doida! Quer dizer que nós estamos condenados a amar para sempre?
- E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações…
- Pensar assim me assusta.
- Por que? Você acha isso ruim?
- É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais…
- Você usou o verbo ‘doer’ ou ‘doar’?
- Pois é, também dá no mesmo…

3/9/11 | 8:46pm | 30 notes

“Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali.”

Bukowski.

18/7/11 | 6:05pm | 8 notes

(Source: badl0ve)

17/7/11 | 4:36pm | 25,613 notes

“Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos.” Caio Fernando Abreu.

17/7/11 | 4:34pm | 11 notes
Se nas férias eu confundo os dias da semana ?

adolescenteemcriise:

(Source: lawwrences)

15/7/11 | 8:27pm | 26,469 notes

“Há feridas que nunca curam, apenas se esquecem de doer.”

15/7/11 | 10:51am | 6 notes
Dar um tempo

“Não conheço algo mais irritante do que dar um tempo, para quem pede e para quem recebe. O casal lembra um amontoado de papéis colados. Papéis presos. Tentar desdobrar uma carta molhada é difícil. Ela rasga nos vincos. Tentar sair de um passado sem arranhar é tão difícil quanto. Vai rasgar de qualquer jeito, porque envolve expectativa e uma boa dose de suspense. Os pratos vão quebrar, haverá choro, dor de cotovelo, ciúme, inveja, ódio. É natural explodir. Não é possível arrumar a gravata ou pintar o rosto quando se briga. Não se fica bonito, o rosto incha com ou sem lágrimas. Dar um tempo é se reprimir, supor que se sai e se entra em uma vida com indiferença, sem levar ou deixar algo. Dar um tempo é uma invenção fácil para não sofrer. Mas dar um tempo faz sofrer pois não se diz a verdade.

Dar um tempo é igual a praguejar “desapareça da minha frente”. É despejar, escorraçar, dispensar. Não há delicadeza. Aspira ao cinismo. É um jeito educado de faltar com a educação. Dar um tempo não deveria existir porque não se deu a eternidade antes. Quando se dá um tempo é que não há mais tempo para dar, já se gastou o tempo com a possibilidade de um novo romance. Só se dá o tempo para avisar que o tempo acabou. E amor não é consulta, não é terapia, para se controlar o tempo. Quem conta beijos e olha o relógio insistentemente não estava vivo para dar tempo. Deveria dar distância, tempo não. Tempo se consome, se acaba, não é mercadoria, não é corpo. Tempo se esgota, como um pássaro lambe as asas e bebe o ar que sobrou de seu vôo. Qualquer um odeia eufemismo, compaixão, piedade tola. Odeia ser enganado com sinônimos e atenuantes. Odeia ser abafado, sonegado, traído por um termo. Que seja a mais dura palavra, nunca dar um tempo. Dar um tempo é uma ilusão que não será promovida a esperança. Dar um tempo é tirar o tempo. Dar um tempo é fingido. Melhor a clareza do que os modos. Dar um tempo é covardia, para quem não tem coragem de se despedir. Dar um tempo é um tchau que não teve a convicção de um adeus. Dar um tempo não significa nada e é justamente o nada que dói.

Resumir a relação a um ato mecânico dói. Todos dão um tempo e ninguém pretende ser igual a todos nessa hora. Espera-se algo que escape do lugar-comum. Uma frase honesta, autêntica, sublime, ainda que triste. Não se pode dar um tempo, não existe mais coincidência de tempos entre os dois. Dar um tempo é roubar o tempo que foi. Convencionou-se como forma de sair da relação limpo e de banho lavado, sem sinais de violência. Ora, não há maior violência do que dar o tempo. É mandar matar e acreditar que não se sujou as mãos. É compatível em maldade com “quero continuar sendo teu amigo”. O que se adia não será cumprido depois.”

Fabricio Carpinejar

1/7/11 | 4:06pm | 12 notes
“When the shirt came off, it was all in time. When a m-m-m-minute turned into a mile. And then I broke that grin, and I cut it out. And you got all turned on by the taste of your sin…
When I mention blue, all you thought was color. When you mention drugs, all I thought was sober. When your pants came off and I turned you over. 
When you mention blue…”

“When the shirt came off, it was all in time. When a m-m-m-minute turned into a mile. And then I broke that grin, and I cut it out. And you got all turned on by the taste of your sin…

When I mention blue, all you thought was color. When you mention drugs, all I thought was sober. When your pants came off and I turned you over.

When you mention blue…”



19/5/11 | 12:50pm | 4 notes

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